Vigilância sanitária
Limpeza de coifas e sistemas de exaustão: regras da vigilância e dos bombeiros
Veja as regras para manutenção e limpeza de coifas e dutos de exaustão em cozinhas e restaurantes, a exigência de ART e telas de proteção.
Em cozinhas profissionais, restaurantes, bares, lanchonetes e refeitórios industriais, os sistemas de exaustão e as coifas são pontos críticos tanto para a segurança sanitária dos alimentos quanto para a proteção contra incêndios. O acúmulo contínuo de gordura e vapores oleosos nos dutos de exaustão representa a principal causa de propagação de chamas em estabelecimentos gastronômicos, além de colocar em risco a higiene dos preparos.
A regra sanitária de manutenção
No Estado de São Paulo, o art. 164 da Portaria CVS 3/2026 estabelece que os equipamentos de ventilação e exaustão, bem como seus filtros, devem ser submetidos periodicamente a procedimentos de manutenção e higienização, com a finalidade de assegurar seu adequado funcionamento e a qualidade do ar.
Direcionamento do fluxo de ar e conforto ambiental
O controle da circulação de ar dentro da cozinha obedece a critérios rigorosos para impedir a contaminação cruzada. O art. 163 da Portaria CVS 3/2026 exige que o sistema de ventilação garanta o conforto térmico e a adequada renovação do ar, mantendo o ambiente livre de fungos, gases, fumaça, gordura e condensação de vapores.
Além disso, o fluxo de ar deve ser sempre direcionado da área limpa para a área suja, não podendo incidir diretamente sobre os alimentos, bancadas de manipulação ou superfícies de cocção.
Obrigatoriedade de telas de proteção contra pragas
As saídas e dutos de exaustão comunicam diretamente o interior da cozinha com o ambiente externo do imóvel. Para evitar que essa tubulação se transforme em porta de entrada para insetos e roedores, a legislação sanitária impõe barreiras físicas obrigatórias:
- Tanto o art. 164 da Portaria CVS 3/2026 quanto o item 4.1.4 da RDC Anvisa 216/2004 determinam que as aberturas do sistema de exaustão devem ser providas de telas milimetradas para impedir o acesso de vetores e pragas;
- As telas protetoras devem ser removíveis, facilitando a lavagem e a desinfecção frequente sem danificar a estrutura dos ventiladores.
Exigência do Corpo de Bombeiros e emissão de ART
A limpeza de coifas não é apenas uma obrigação sanitária: ela é condicionante direta para a aprovação e renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Como a gordura acumulada nos dutos é altamente inflamável, uma simples chama na fritadeira pode incendiar toda a tubulação até o telhado.
Em normas estaduais dos bombeiros — como na Nota Técnica CBMERJ 1-01/2019 (item 5.1, "o") —, a corporação exige formalmente, para as coifas de exaustão, a apresentação de cópia da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou RRT emitida pelo respectivo conselho de classe profissional, referente à instalação e à manutenção do sistema.
A periodicidade recomendada na prática: embora as normas de vigilância falem em higienização periódica contínua, recomenda-se a limpeza completa dos dutos e caixas de lavagem a cada 3 ou 6 meses, conforme o volume diário de frituras do cardápio e os parâmetros da NBR 14518, guardando sempre o laudo técnico com fotos antes e depois.
Riscos de sinistro e recusa de indenização pelo seguro contra incêndio
O acúmulo de gordura volátil no interior de coifas industriais é considerado pelos peritos forenses o combustível primário mais perigoso do setor de alimentação fora do lar. Em caso de deflagração de incêndio na área de fritura ou grelhas:
- O fogo se propaga em segundos pela rede de dutos, atingindo forros, lajes e a cobertura do prédio com temperaturas que superam 800 graus;
- As seguradoras exigem a apresentação imediata do laudo de higienização e da ART recente para liberar a liquidação de sinistros patrimoniais;
- A ausência de comprovação de manutenção periódica caracteriza negligência operacional, motivando a negativa formal de pagamento da cobertura securitária.
Documentos que o restaurante deve manter no local
Durante uma fiscalização da vigilância sanitária municipal ou vistoria dos bombeiros, o estabelecimento deve apresentar prontamente a pasta técnica de exaustão contendo:
- Certificado de Higienização de Coifas: emitido pela empresa especializada executante, discriminando as etapas químicas e mecânicas de desengorduramento dos dutos;
- ART de Responsabilidade Técnica: firmada por engenheiro devidamente registrado no conselho regional;
- Relatório Fotográfico: comprovação visual do interior dos dutos, exaustor centrífugo e filtros colmeia antes e após a intervenção;
- Cronograma de Manutenção Preventiva: integrado ao Manual de Boas Práticas e Procedimentos Operacionais Padronizados (POP) do restaurante.
Fontes
Toda norma, data e prazo citados acima estão nestas fontes oficiais, lidas em 23 de setembro de 2026. Como conferimos.
- Portaria CVS 3/2026, arts. 3º e 4º — gov.br
- Portaria CVS 3/2026 (SP), Diário Oficial do Estado de São Paulo
- Nota Técnica CBMERJ 1-01/2019, Parte 1 — Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro
- Resolução RDC 216/2004 — Anvisa
Prazos municipais e estaduais mudam por decreto e variam de uma cidade para outra. Onde o artigo diz que depende do município, o que vale é a norma local em vigor.